Voltaremos a vivenciar a era dos “apagões”?
- Eng. Alvaro Dias

- 29 de ago. de 2023
- 3 min de leitura
No dia 15 de agosto de 2023, o Brasil passou por um apagão, estima-se que 29 milhões de usuários ficaram sem energia, em diversos estados por algumas horas. Após este evento e religação das cargas, o questionamento que vem à tona é de: -O quão seguro e confiável é o sistema interligado nacional?

O sistema interligado nacional brasileiro de energia, é o que interliga boa parte das cargas elétricas do território nacional em um único conjunto energético. Por mais que se apresente como um projeto robusto e seguro, no dia 15 de agosto de 2023, o Brasil passou por um apagão, até o momento sem causa concreta, porém por uma falha milhares de brasileiros ficaram sem luz elétrica, estima-se que 29 milhões de usuários ficaram sem energia, em diversos estados por algumas horas. Após este evento e religação das cargas, o questionamento vem à tona é de: -O quão seguro e confiável é o sistema interligado nacional? Para os dias atuais, onde a necessidade de energia elétrica é essencial para o trabalho e para produção do país. Quais garantias essa interligação nacional dispõe que outras falhas não venham a acontecer? Novos apagões poderão voltar a acontecer? Para que seja possível compreender o contexto, este não é o primeiro evento conhecido como “apagão” geral na história do setor energético brasileiro, em meados nos anos 2000, diversos apagões aconteceram de formas repentinas por motivos que serão apresentados no decorrer deste artigo. Quando tratamos do ano 2023 o evento de 15 de agosto se apresenta como, até o momento o primeiro “apagão”. Várias explicações vieram à tona, após o evento sobre as possíveis falhas, pelos mais diversos especialistas, que inclusive comparam o surto com os “apagões dos anos 2000”. Uma comparação simples neste caso era que nos anos 2000 os apagões se deram pelo déficit de geração em relação a uma demanda muito grande de consumo, os rios estavam em escassez, as termoelétricas não supriam as demandas. Em 2023 a falha por outro lado foi pelo efeito reverso, os reservatórios de água estão em abundância para energia elétrica através da fonte hídrica, as outras fontes renováveis como solar e eólica, por exemplo, que continuam a produzir em abundância, em suma há muito mais energia que a capacidade de consumo.
O que realmente aconteceu em agosto de 2023 foi um evento crítico a uma falha em uma das linhas de transmissão, mais precisamente, a linha LT500 kV Quizadá-Fortaleza II, segundo relatório apresentado pela ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) ..."uma atuação incorreta no sistema de proteção da linha, que operava dentro dos limites, ocasionou o seu desligamento” este evento ativou as redundâncias de proteção da rede, que ao detectarem as mudanças de parâmetros, começaram a fazer manobras para proteger com que o surto não se espalhasse.
Isoladamente isto seria resolvido em poucos segundos, porém, as proteções ativadas desligaram da rede cerca de 19 mil MW do total de 73 mil MW nacional, isto representa cerca de 27% de toda a demanda de carga, esse transiente de energia elétrica trouxe um efeito conhecido como rejeição de carga, este efeito acontece quando há consumidores, e por alguma falha/desligamento esses consumidores deixam de consumir energia repentinamente, como as usinas não tem como se reorganizarem em um período curto de tempo, esse excesso de energia não tem para onde escoar e para se proteger de um acidente de sobrecarregar nas linhas de transmissão, o sistema começa a desligar a fim de que a rede seja preservada, como se houvessem pequenos seccionamentos na rede. Como exemplo são de disjuntores desarmando para que o curto circuito não tenha continuidade, neste caso em larga escala, algumas subestações e linhas de transmissão foram seccionadas e retiraram assim a carga do sistema.
Por mais que este evento seja totalmente atípico ao funcionamento normal da rede, o sistema mostrou-se robusto para segurança, evitando com que os prejuízos nas redes fossem maiores, em contra partida uma projeção para novas automações de segurança apresentam-se como necessidades de implementação no sistema. Parece óbvio que 27% da carga nacional não deixa de consumir repentinamente ao mesmo tempo porém não há o que não limite deste evento acontecer novamente. O sistema precisa prever as quedas de carga para poder realizar as manobras necessárias e manter o atendimento aos clientes. As fontes de geração precisam ser controláveis ou pelo menos necessitam ter comando de controladores para poderem atuar nessas ocasiões.
Em comparação com período mais crítico vivenciado no início dos anos 2000, o sistema interligado desenvolveu muito, há uma diversidade de fontes de energia, há uma rede mais forte, mais reforçada, há energia de sobra entre outras qualidades que poderiam ser apontadas em comparação aos anos 2000. Porém o projeto de interligação nacional precisa acompanhar e aprender com estes eventos, necessita desenvolver estudos para implementação de novas tecnologias a fim de prevenir antecipadamente estas falhas. Aproveitar a robustez deste sistema já instalado para melhorar e proteger para que novos apagões não assolem os brasileiros.




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